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O castelo de cartas argentino





Teresa Costantini é daquelas escritoras que deixam o personagem roubar a caneta de sua mão. Mas não só. Ela é atriz. Atriz e roteirista. Atriz, roteirista e diretora. De preferência, preferência sua, uma mistura de tudo. Seu novo filme, "O amor e a cidade", um dos mais comentados deste festival, é o saldo dessa mistura. E de muitas outras. A argentina, ex-moradora de Roma, é apaixonada por Paris, por literatura e artes plásticas e, como se fora um hobby, gosta de observar as relações humanas. Observar e absorver.

Assim Teresa desenhou seus tipos. Elisa, seu papel, é uma mulher frustrada e com medo de tudo que tenha profundidade. Ao partir para Paris após um chamado do pai, abandona o namorado, Sebástian (Adrián Navarro), um cara mais jovem, que, desprezado, busca consolo na vizinha Juana (Vera Carnevale), garota sem eira nem beira que troca seus quadros por um prato de comida.

De volta à Elisa, o ponto de partida das histórias, ela é filha do escritor Carlos Miguel (Patrick Bauchau), uma espécie de poeta de sua própria vida, autor de livros complicados e que entra em parafuso quando ganha um Nobel, além de extremamente egoísta. Figura singular da trama.

"Carlos Miguel foi um personagem muito bem escrito desde o início. Eu quis retratar o amor universal pela figura paterna, no sentido de mito mesmo, e trouxe elementos da minha experiência pessoal para criá-lo. Meu pai morreu há onze anos. A idéia foi reconstruir meu adeus a ele, de uma forma diferente da real", contou Teresa em entrevista a EGO.

O longa é uma desventura em série. Um castelo de cartas, passatempo predileto da personagem de Teresa e figura de linguagem cinematográfica para a ruína de seus tipos. Um desses ases representa a economia. Teresa aborda os tempos difíceis na Argentina através da jovem Juana, uma retratista rejeitada pelos pais e vítima da falta de oportunidades em seu país.

"Essa nova geração está muito mais perdida. Nós, os mais velhos, sofremos com muita coisa, mas a experiência nos ajuda a lidar com as situações. Já os mais jovens estão órfãos de modelos. Gosto sempre de confrontar gerações. Observei que os jovens são parecidos com Juana, uma garota que se sente sozinha no mundo", explica a diretora, que fica no Brasil até amanhã.

Ainda antes de partir, Teresa pretende estender seus contatos por aqui. Ela está em negociações adiantadas com Domingos Oliveira para um novo filme e/ou uma futura peça de teatro. Na ponta da agulha também está uma produção de época com potencial para co-produção, envolvendo o cineasta Luiz Carlos Barreto. Sabe-se que a película é baseada na história real de uma menina argentina que se casa por conveniência, no fim do século 19, e vive uma relação extra-conjugal levada às últimas conseqüências. Por: Angie Diniz
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Acabou, mas ainda tem



O Festival do Rio termina amanhã, mas a tradicional repescagem, vocês sabem, continua por mais uma semana. Este ano é no Estação Botafogo 1 que, por uma semana, serão exibidos alguns dos filmes que não têm grande chance de chegarem tão cedo ao circuito comercial brasileiro.

Como eu previa, vários títulos da retrospectiva Visconti fazem parte da repescagem, ocupando o último horário do dia (menos na terça-feira, quando não há nenhum). A sofisticação do cinema dele cairá bem numa tela bem grande, como a do Estação 1.

Segue a programação. Comentários abaixo:

Sexta (6/10)
13h - CIDADÃO DUANE (99')
15h15 - ADMIRAÇÃO MÚTUA (109')
17h30 - VERÃO EM BERLIM (110')
19h45 - A RAINHA (97')
22h - VAGAS ESTRELAS DA URSA (95')

Sábado (7/10)
13h - QUANDO EU ERA CANTOR (112')
15h15 - ESTAMOS BEM MESMO SEM VOCÊ (106')
17h30 - MADEINUSA (100')
19h45 - PUCCINI PARA INICIANTES (82')
21h30 - OS DEUSES MALDITOS (150')

Domingo (8/10)
13h - EL TOPO (124')
15h15 - MAN PUSH CART (87')
17h15 - MILAREPA (96')
19h45 - UM LONGO CAMINHO (107')
22h - UM ROSTO NA NOITE (107')

Segunda (9/10)
13h - TÃO PERTO E TÃO DISTANTE DO AMOR (131')
15h30 - UMA SIMPLES CURVA (92')
17h30 - UM CASAL PERFEITO (104')
19h45 - AZUL ESCURO QUASE NEGRO (105')
21h45 - VIOLÊNCIA E PAIXÃO (121')

Terça (10/10)
13h - FUI! (115')
15h15 - TUDO QUE VOCÊ QUERIA SABER SOBRE ROBERT WILSON (105')
17h30 - PRINCESAS (113')
19h45 - TERRA CONGELADA (130')

Quarta (11/10)
13h - DESTRICTED (115')
15h15 - UM CASAL PERFEITO (104')
17h30 - BEM-VINDO À CASA (118')
19h45 - SEM GÁS, SEM RUMO (97')
21h45 - SEDUÇÃO DA CARNE (115')

Quinta (12/10)
13h - NA SOMBRA DAS PALMEIRAS DO IRAQUE (91')
15h - IRÃ: UMA REVOLUÇÃO CINEMATOGRÁFICA (98')
17h - REFUGEE AL STARS (86')
18h45 - GAROTINHO BOBO (94')
20h45 - O LEOPARDO (185')

Como se vê, à exceção dos de Visconti (destaque absoluto para "O leopardo"; destaque semi-absoluto para "Violência e paixão"), há uma profusão de filmes mais ou menos obscuros. A verdade é que o festival deste ano foi um pouco assim: raros foram os filmes que se destacaram, que causaram muitos comentários, que foram levados pelo público para o papo de praia e de mesa de bar. E alguns dos poucos que conseguiram ("The Host", "Paris, eu te amo", "Fast food nation", "El laberinto del fauno") ficaram fora da repescagem por uma razão ou outra.

Bem, não é nada, não é nada, ainda há o cult absoluto "El topo", de Alejandro Jodorowsky, o bizarro compêndio de filmetes de sexo explícito "Destricted" e o atrasadinho "A rainha", de Stephen Frears. Esse último é um espécime comum no festival: o filme que chega só para a repescagem, passando a semana no limbo da alfândega, esperando liberação. Antes tarde do que nunca.

Repescagem à parte, ainda há, na sexta-feira, uma maratona Odeon especial Festival do Rio, abrindo com "A scanner darkly", de Richard Linklater, continuando com "Xifópagos e roqueiros", já comentado aí embaixo, e terminando com "La montaña sagrada", de Jodorowsky. Seria altamente recomendável, não tivesse a maratona se transformado num evento de tudo, menos cinema.... Por: Jaime Biaggio
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Extra, extra!



Essa bocada é para quem perdeu a exibição do filme "Sonhos e desejos", de Marcelo Santiago. Com Mel Lisboa, Felipe Camargo e Sergio Marone no elenco, o longa vai ter uma sessão extra nesta quarta-feira, 4, às 13h, no Cine Palácio, no Centro.

O melhor de tudo: a entrada é franca! Com distribuição de senhas uma hora antes da sessão.

Confinados em um “aparelho” em Belo Horizonte, três militantes - uma jovem estudante, um bailarino de rosto coberto e um professor de literatura - confrontam suas opções políticas e afetivas que envolvem desejo, traição e lealdade.

Após a exibição, o diretor vai conversar com o público na Tenda Cinelândia.

Não dá para perder!!! Por: Ligia Andrade
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Hoje é dia de batidão!



O funk vai rolar solto mais tarde na Tenda de Copacabana, montada em frente ao Copacabana Palace Hotel.

E para comandar o pancadão com a galera, ninguém menos que o hype MC Mr. Catra.

É para sacudir o popozão! =) Por: Ligia Andrade
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O amor e a cidade



Começou às 21h30m, no Espaço Unibanco 1, a sessão do filme argentino “O amor e a cidade”, de Teresa Costantini.

A diretora, também protagonista do longa, subiu ao palco antes da exibição para fazer seus agradecimentos, que se estenderam aos organizadores do festival, ao público e a seus convidados especiais: os cineastas Luiz Carlos Barreto e Domingos Oliveira, que estava acompanhado da mulher, a atriz Priscila Rozenbaum.

“O amor e a cidade” conta a história de Juana, Sebastián e Elisa, que vivem no mesmo edifício em Buenos Aires.

Juana é uma artista plástica desempregada com vida instável e problemas econômicos. Elisa é frustrada tanto no campo profissional quanto no afetivo. Ela tem um relacionamento com Sebastián, que é mais jovem que ela e trabalha vendendo livros raros. Quando um homem liga de Paris, Elisa vai embora sem deixar vestígios. Abandonado, Sebastián começa uma relação com Juana.

O amor, o tempo e as circunstâncias mais uma vez mudarão as vidas dessas três pessoas solitárias. Por: Ligia Andrade
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